O artesanato mineiro sempre foi mais do que objeto. Ele carrega histórias, cheiros, texturas e lembranças que atravessam gerações. Memória afetiva — este foi o fio condutor do 4º episódio da 8ª temporada do Programa Zine Negócios entre Alexandre Silveira, Matheus Fassini e Cássio Fernandes, fundador do Empório Vó Olívia.
O bate-papo vai muito além de números e estratégias de e-commerce. Ele revela como um negócio pode escalar, atingir milhões de pessoas e, ainda assim, manter algo raro hoje em dia: alma.
Atenção aos sinais
Antes de se tornar uma referência nacional, e até mesmo internacional, o projeto nasceu em um quiosque no Independência Shopping, em Juiz de Fora. Ali, eram comercializados os sabores da roça, quitandas, biscoitos, doces e algumas peças artesanais.
Cássio sempre teve em mente que as pessoas não buscavam apenas pelos produtos, mas pelo sentimento que vinha junto com eles. Os clientes queriam lembrar da casa da vó, da infância no interior…
Quando uma cliente do Rio de Janeiro entrou em contato pedindo um simples bule artesanal, mesmo após o fechamento da loja física, a chave virou. Não era o doce. Não era o biscoito. Era o objeto carregado de significado. Nascia ali o embrião de um negócio que hoje conversa com milhões de pessoas.
Artesanato não é produto. É narrativa.
Um dos pontos mais fortes da conversa é a forma como Cássio enxerga o artesanato: não como mercadoria, mas como história contada em forma de objeto. A escolha dos artesanatos do Empório Vó Olívia não segue apenas critérios estéticos ou tendências de mercado.
“Curadoria, pra mim, não é tendência. É algo que precisa me tocar. Se não tem história, memória e afeto, não entra.” — Cássio Fernandes
Desde uma fruteira simples de madeira até esculturas de barro disputadas por arquitetos, restaurantes e clientes que aceitam esperar meses por uma peça feita à mão. O barro, aliás, ganha destaque no episódio como símbolo de uma virada cultural: o que antes era visto como simplicidade extrema, hoje é sinônimo de design, conceito e sofisticação.
Escalar sem perder a essência: o desafio real
Apesar de ser um grande desafio atender milhares de clientes mundo afora, organizar estoque, fazer curadoria e fazer a gestão de todo negócio, Cássio sempre teve a essência do Empório Vó Olívia muito bem definida, marcado pela simplicidade, afeto e mineiridade. Estes traços, inclusive, moldam sua personalidade, já que foi criado por sua vó Olívia na roça.
“Minha avó era artesã sem saber que era artesã. Ela remendava roupa, fazia capa de sofá, bordava tapete. Isso tudo é artesanato.” — Cássio Fernandes
O modelo de negócio do Empório Vó Olívia funciona em parceria com centenas de artesãos, muitos deles no interior de Minas Gerais. A empresa compra os artesanatos e vende on-line. O papel do Empório, nesse caso, é quase de tradutor cultural entre o mundo digital e o fazer manual. Tudo isso, respeitando o tempo, o processo e até os limites dos artesãos que não querem produzir em grande escala.
O interessante é que o Empório Vó Olívia, com todo o conceito de afeto e memória, se tornou uma verdadeira comunidade. Cássio conta no episódio que os clientes são verdadeiros fãs da marca, por conta de tudo que ela representa.
A comunicação é muito próxima, sem automações, por estratégia mesmo. Em tempos de IA, um comentário respondido por um humano, é ouro. Assim é feito nas redes sociais do Empório Vó Olívia, não há robôs, nem mensagens frias.
“Se alguém para o tempo dela para comentar ‘que lindo’, o mínimo que a gente pode fazer é responder.” — Cássio Fernandes
Comunidade forte: on-line e presencial
Cássio faz muitas lives no perfil do Empório Vó Olívia, muito aguardadas pelos seguidores, inclusive. A venda acontece em tempo real e, mais que isso, acontecem conexões reais: as pessoas querem ouvir histórias, perguntar sobre os artesanatos, conhecer mesmo este universo.
“As pessoas não queriam só comprar. Elas queriam conversar. Quando eu entendi isso, a live virou o coração do negócio”— Cássio Fernandes.
No início, Cássio tinha vergonha e fazia lives curtas, muitas vezes, sem aparecer. Mas, depois de entender e ouvir seu público, encarou as lives como parte essencial e estratégica de seu negócio.
Mesmo com este contato virtual caloroso e com o e-commerce consolidado, Cássio sentiu a necessidade de expandir e abrir lojas físicas. As lojas do Empório Vó Olívia não funcionam como vitrines tradicionais. Elas são pensadas como ambientes de vivência: fogão à lenha, árvore no meio do espaço, peças espalhadas para tocar, sentir, lembrar. Além do atendimento sem pressão, deixando o cliente o mais à vontade possível, livre para caminhar, observar e se conectar com as peças.
A conversa revela como essa experiência reforça a marca, cria fãs e amplia ainda mais o alcance do projeto — inclusive com planos de expansão que envolvem Juiz de Fora novamente.
O episódio é daqueles que pedem uma pausa e escuta ativa. Foi uma conversa rica sobre pertencimento, identidade, cultura e negócio, claro. Passe um cafezinho e se inspire com a história do Cássio.
Assista ao episódio completo no YouTube e conheça a história inspiradora do Empório Vó Olívia.
Ou, se preferir, ouça pelo Spotify
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